Cinco anos depois, recordam-se os factos: terroristas colocaram 13 bombas em mochilas que depois doram deixadas dentro de quatro carruagens. 10 explodiram nas estações de Atocha, El Pozo e Santa Eugénia. Cerca de 220.000 passageiros utilizavam diariamente essas linhas ferroviárias.
Em Outubro de 2007, foi conhecida a sentença do julgamento dos atentados de 11 de Março. 21 dos 28 réus foram condenados a cumprir pena, mas 7 foram absolvidos. Nalguns casos, a acumulação de delitos levou a penas de 40.000 anos de prisão.
Em Julho de 2008, o Tribunal Supremo analisou um total de 31 recursos da sentença, apresentados pelo Ministério Público, por associações de vítimas e pela maioria dos condenados.
Acabou por absolver quatro dos 21 condenados por responsabilidade nos atentados de 11 de Março, condenando um outro arguido que tinha sido absolvido e mantendo a absolvição de um dos suspeitos de autoria intelectual do massacre.
Memorial às vítimas construído na estação de Atocha, em Madrid
Homenagem às vítimas
Homenagens e debates com especialistas e vítimas de terrorismo marcam esta semana o 5º aniversário dos maiores atentados de sempre da história espanhola, que causaram 191 mortos e 2.062 feridos.
Os eventos, que estão a ser organizados em conjunto pelas autoridades espanholas e pela Rede Europeia de Vitimas do Terrorismo, vão ter início quando chegarem a Madrid, esta terça-feira dia 10 de Março, uma centena de vítimas de terrorismo de toda a Europa.
A Fundação Lázaro Galdiano, em Madrid, acolhe o primeiro evento, o encontro de homenagem “A voz das vítimas”.
No dia 11, os eventos decorrem em vários pontos de Madrid, bem como na Internet, onde se pretende construir uma “homenagem virtual de recordação das vítimas do terrorismo na Europa”.
A sede da Comissão Europeia em Madrid acolhe na manhã do dia 11 um encontro onde vítimas de terrorismo e especialistas europeus - incluindo uma delegação da Associação de Portuguesa de Apoio à Vítima - analisarão o combate ao terrorismo e a protecção de vítimas.
Durante todo o dia, mais de 500 jovens voluntários da Rede Europeia de Vitimas do Terrorismo distribuirão 'pins' relembrando os cidadãos da capital espanhola que se devem mobilizar e empenhar no apoio à vítima do terrorismo.
A principal cerimónia decorre às 13:00 no Bosque dos Ausentes, no Parque do Retiro, em Madrid, onde vai ser lido um manifesto em defesa da Verdade, Memória, Dignidade e Justiça de todas as vítimas do terrorismo na Europa.
Na noite de quarta-feira haverá o tradicional concerto 'In Memoriam-11 de marzo 2009', de homenagem às vítimas dos atentados de 11 de Março de 2004, no Auditório Nacional de Música.
Organizado pela Fundação Vítimas do Terrorismo e presidido pelos Príncipes das Astúrias, o concerto será essencialmente, segundo os promotores, “para apoiar as vitimas que nestas alturas passam dias difíceis”, procurando assim que a sociedade “partilhe a sua dor”.
Maite Pagazaurtundúa, presidente da fundação, explicou que o concerto, interpretado pela Orquestra da Comunidade de Madrid e dirigido por José Ramón Encinar, demonstra que “a arte pode ajudar a combater a perda”.
Mais de 2.000 pessoas vão assistir ao concerto que pretende ainda homenagear as equipas que socorreram os afectados pelos atentados e onde deverão estar representantes de várias instituições espanholas.
Espanhóis temem sobretudo atentados da ETA
O terrorismo internacional continua a ser considerado uma grande ameaça pela maioria dos espanhóis, que ainda assim teme mais atentados da ETA do que um novo 11 de Março. Essas são as conclusões extraídas das últimas sondagens do Centro de Investigação Sociológico e do Real Instituto Elcano, dois dos principais inquéritos regulares a temas políticos, sociais e económicos em Espanha.
Os últimos inquéritos referem que a percepção de risco permanece, mas que os cidadãos consideram mais perigoso um eventual atentado da ETA do que uma nova acção do terrorismo islâmico.
Uma situação que se consolidou depois de a ETA ter formalmente suspenso a declaração unilateral de trégua, em Junho de 2007.
Assim, 27% dos espanhóis consideravam a ETA como principal ameaça e apenas 11% temiam um atentado terrorista.
Uma inversão da situação que se verificou entre 11 de Março de 2004 e 2007, período em que, segundo as mesmas sondagens, a ameaça do terrorismo internacional era maior, para a maioria dos espanhóis, do que a da ETA.
O receio do terrorismo internacional tem sido, aliás, disputado por outros temas internacionais como a crise financeira e as alterações climáticas.
SAPO/LUSA
O primeiro-ministro espanhol considera que "justiça foi feita" no julgamento dos atentados de 11 de Março de 2004.
Rodeada de um forte dispositivo de segurança, a Sala de Campo em Madrid recebeu a leitura da sentença.
Das explosões, à visita da rainha Sofia aos feridos e às manifestações contra o terrorismo.